Depois de cruzados, cruzeiros e real, a história do dinheiro no Brasil deu mais um passo: a criação da moeda digital brasileira, chamada de Drex.
Essa iniciativa foi anunciada pelo Banco Central em agosto de 2023 e, a partir de setembro, entrou em fase de testes. A previsão da instituição é que, até o final de 2024, a Drex já esteja vigente e todos os brasileiros possam utilizar essa nova moeda.
Mas, afinal, o que é essa moeda digital brasileira e como ela vai funcionar? Esse tema é novo para todo mundo e, para ajudar você a ficar por dentro do que está acontecendo e se preparar para essa nova fase, nós preparamos este artigo que é um guia com tudo o que já se sabe sobre a Drex até agora.
Antes de tudo, entenda o que é CBDC
Antes da gente começar a falar sobre a Drex, que é a moeda digital brasileira, é importante que você conheça o conceito de CBDC – Central Bank Digital Currency, ou Moeda Digital Emitida pelo Banco Central, na tradução para o português.
CBDC é uma versão virtual para a moeda oficial de um país e pode ser usada com diversos fins – fazer compras, guardar dinheiro, estipular valores para produtos, fazer transferências entre outras coisas.
Na prática, ela é muito parecida com o dinheiro tradicional, mas com a diferença de que não existe fisicamente. Ou seja, não são fabricadas moedas físicas e nem impressas cédulas. Então, ao invés de usar uma carteira física, o cliente usa uma carteira digital para armazenar o seu dinheiro.
O que é a nova moeda digital brasileira?
A Drex, a nova moeda digital brasileira, é uma CBDC – ou seja, ela é uma versão virtual do Real que usamos hoje em dia no país.
Em outras palavras, é uma representação digital do Real.
E, assim como acontece com as CBDC, a principal diferença é que a Drex não existirá fisicamente. Ele será armazenado somente em sistemas virtuais.
O Drex terá o mesmo valor do Real e poderá ser usado para diversas transações, como o pagamento de contas, compras, transferências, etc.
Ou seja, é uma nova forma de ter dinheiro e realizar transações!
O que significa o nome Drex?
O primeiro nome usado para esse projeto era “Real Digital”. Mas o Banco Central queria usar um nome mais forte e que transmitisse uma ideia de modernidade.
Por isso, foi criada a palavra Drex. O D e o R fazem alusão ao Real, o E significa eletrônico e o X foi colocado na palavra para deixá-la mais moderna.
Você gostou do nome?
Qual a importância do Drex?
O principal objetivo da criação da moeda digital brasileira é acelerar a digitalização da economia do país.
Mas, além disso, a utilização do Drex vai trazer outros benefícios para o país e para a sua população. Veja alguns exemplos:
mais velocidade nas transações;
mais segurança;
diminuição dos custos com emissão de moedas;
possibilidade de usar a moeda e qualquer lugar do mundo, sem necessidade de conversão por meio de bancos;
inibição da lavagem de dinheiro;
estímulo à inovação e concorrência no ambiente digital.
Como a nova moeda digital brasileira vai funcionar?
Quando o Drex estiver disponível, as pessoas terão acesso a ela por meio de contas digitais em instituições financeiras, aplicativos e plataformas de pagamento.
Na mesma plataforma, será possível converter Real em Drex e utilizar os valores para diversas transações, incluindo pagamentos e recebimentos.
Na prática, o usuário deve depositar o valor em Reais na sua carteira virtual e, então, convertê-lo para Drex. Como já falamos aqui, a moeda virtual terá o mesmo valor da moeda real – então, para cada real depositado, você terá um Drex.
O Drex está sendo testada em três categorias:
Drex Digital: será usada no atacado e no mercado interbancário;
Drex Tokenizado: versão para o varejo, que é aquela que as pessoas físicas têm no banco;
Títulos do Tesouro Direto: a Drex poderá ser usada para compra e venda de títulos públicos federais (TPF), no mercado primário e secundário.
Drex é seguro?
A moeda digital brasileira ainda está passando por fase de testes, mas o Banco Central já confirmou que os níveis de segurança para a utilização da Drex serão iguais aos das operações já realizadas hoje em dia pelo sistema bancário de pagamentos.
Ou seja, usar o Drex vai ser tão seguro como usar o Internet Banking como fazemos hoje em dia!
Linha do tempo da criação da moeda digital brasileira
Apesar de ter a sua fase de testes iniciada recentemente, o Drex é um projeto que existe desde de 2020. Preparamos uma linha do tempo para ajudar você a entender melhor essa jornada e o que esperar para o futuro:
2020: o Banco Central criou um grupo para estudar o CBDC, os seus benefícios e os seus impactos na economia.
março de 2023: O BC escolheu uma plataforma para fazer os testes com ativos de diversos tipos
junho de 2023: foram escolhidos 16 consórcios para participar do projeto piloto, na construção de sistemas a serem acoplados à plataforma e desenvolvimento de produtos financeiros e soluções tecnológicas;
setembro de 2023: início da fase de testes, em que correm operações simuladas e testes de segurança e agilidade;
final de 2024 ou início de 2025: disponibilização da Drex para o público.
Qual a diferença entre Drex, Pix e criptoativos?
O Drex e o Pix são duas soluções lançadas pelo Banco Central para digitalizar a economia brasileira e trazer mais agilidade para as transações bancárias.
Mas o PIX, como você sabe, é uma ferramenta de transferências instantâneas de dinheiro, ou seja, uma forma de transferir recursos e fazer pagamentos. Já o Drex é uma moeda virtual, que representa o real no ambiente digital.
O PIX e a Drex, então, são produtos que se complementam.
Drex também não é uma criptomoeda. Isso porque a principal característica das criptomoedas é que elas são privadas e descentralizadas. Isso quer dizer que elas são criadas por empresas ou coletivos desenvolvedores.
Já o Drex é diferente. Assim como as demais CBDC, ele foi criado pelo Banco Central do país, que é responsável pelo seu desenvolvimento, emissão e gerenciamento.
Além disso, com a CBDC, o blockchain não é tão aberto – o que quer dizer que os dados das transações, que costumam ser públicos nos casos das criptomoedas, são mais restritos para o público e acessíveis por órgãos governamentais.
Outra diferença é que as CBD não são criadas com o objetivo de se tornarem um ativo digital, como é o caso do bitcoin, por exemplo. O objetivo das moedas digitais gerenciadas por bancos centrais é a utilização no cotidiano, para pagamentos, transações e reservas de valor.
Quais outros países já têm a sua própria moeda digital?
Além do Brasil, outros países também estão estudando a criação da moeda digital nacional e 11 deles já lançaram as suas versões:
Nigéria;
Bahamas;
Jamaica;
Anguila;
Antígua e Barbuda;
Granada;
São Vicente E Granadinas;
Santa Lúcia;
Dominica;
Montserrat;
São Cristóvão e Neves.
Dentre os países que estão estudando o lançamento, podemos citar a Índia, que também pretende lançar a sua moeda em 2024, assim como o Brasil.
China, Austrália, Tailândia, Rússia, Inglaterra, Japão e outros países também estão desenvolvendo protótipos. Esses são somente alguns exemplos, porque a lista é grande – atualmente, 130 países estão estudando o lançamento de moedas digitais com os seus bancos centrais – e uma curiosidade é que, juntos, esses países representam 98% do PIB global.